Rua do Saco

Janeiro 27 2010

Eu tive um sonho.

Sonhei que um dia veria o meu rio sempre com água.

Sonhei que veria barcos amarrados ao cais, e vida no Arade.

Sonhei que a ponte romana tinha sido pintada e dotada de iluminação cénica (Polis, Plano Estratégico, pag 6). E que as escadarias do cais eram, de vez em quando, lavadas (ou pelo menos, mangueiradas).

Sonhei que, a partir da Primavera, pelo menos um dia por semana, veria o passeio ribeirinho de Silves e a ponte romana com pequenas tendas de artesanato e artistas a pintar ou a vender as suas obras. Ou com pequenos mercados temáticos (frutos secos? Flores? Citrinos? Doces e produtos regionais?).

E que Silves era por isso conhecida em todo o Algarve. Que de todo o Algarve vinha gente.

Sonhei que Silves não tinha para oferecer apenas uma feira medieval, de sucesso garantido, mas igual à que pode ser vista em qualquer vila ou cidade do País.

E que veria as esplanadas da baixa de Silves cheias de gente. Gente da terra. E visitantes, a lanchar e a descansar do passeio pela zona histórica, ou a fazer tempo para o barco de regresso.

Sonhei que todas as ruas do centro histórico tinham sido dignificadas, e que na sequência de uma adequada e eficaz política, a antiga Almedina tinha condições para a fixação e vida das famílias. E que já não haviam casas em ruínas.

Sonhei tudo isso. E sonharei muito mais. Enquanto não for proibido.

 

publicado por jpargana às 12:24

Amigo Joãp Pargana,
Sonhar não é proibido. Tu sonhaste e eu tive um pesadelo ... ou talvez não. O pesadelo foi de tal ordem que não me permitiu ver na nossa terra autarcas capazes de nos trazer o desenvolvimento e progresso a que todos aspiram e com os quais tu sonhaste. Vi obras inauguradas com pompa e circunstância antes de estarem terminadas ... e agora fechadas e em degradação acelerada. Vi o centro histórico "escalavrado" há mais de 5 anos e ouvi as explicações inexplicáveis de autarcas a justificar o injustificável. O pesadelo foi ao ponto de ter visionado verbas avultadas afectas à recuperação e requalificação do Rio Arade e essa requalificação se ter circunscrito a Portimão e Mexilhoeira.
Em tempos não muito recuados até me ia dando um "xelique" quando vi algures anunciado o início das obras de desassoreamento do rio. Não tenho bem presente a data mas suponho que foi por volta do dia 1 de Abril !!! . Parece que haveria bons motivos para pôr a notícia a circular.
Há que ter em atenção que a requalificação do rio não pode deixar de fora o grave problema da sua poluição uma vez que a actual ETAR já não responde às necessidades de tratamento dos efluentes provenientes da cidade e arredores. Não nos podemos esquecer que entre a população faunícola do rio existe uma razoável colónia de lontras. Eu próprio já as vi várias vezes à noite, mas há 2 anos atrás.
Enfim, vamos sonhando com um futuro risonho para a nossa velha cidade e em simultâneo sofrendo o pesadelo de a ver parada no tempo, sem esperança e à mercê de gente que não pode ou não sabe dar-lhe destino mais risonho.
Até sempre, em Silves, na cidade velha, na Rua da Porta da Azôia, na Rua da Arrochela, no Largo Correia Lobo, na Rua do Saco, na Rua do Pão de Ló, nas Pimenteiras, na Mata, na Rua da Cadeia, e em tantas outras, sobre aquelas pedrinhas irregulares da calçada ... onde ela ainda existe.
Alfredo Figueiras






Alfredo Figueiras a 12 de Abril de 2010 às 20:46

Este blog é uma colectânea de reflexões do autor sobre temas de interesse geral e da sociedade e ambiente que o rodeiam.
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