Rua do Saco

Janeiro 26 2012

Chegou-me por e.mail um texto, alegadamente da autoria de João César das Neves, que transcrevo com o meu aplauso e a devida vénia ao autor, na convicção de que enriqueço este modesto espaço.

  

"Obrigado, Sr. ministro! por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o favor de entregar uma carta ao senhor ministro.

Perguntei-lhe qual ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao ministro que o andava a ajudar. O texto é este:


"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma.
Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.
Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens.
Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.
Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.
Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social.
Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido.
Enfureceram-se por existirem quartos com três camas, várias casas de banho sem bidé e na área destinada ao duche de pavimento (ligeiramente inferior a 1,5 m x 1,5 m) não estivesse um sistema que permita tanto o posicionamento como o rebatimento de banco para banho de ajuda (uma coisa que nem sei o que seja). Em resumo, o lar era uma desgraça e tinha de fechar.
Ultimamente pensei pedir aos senhores fiscais para virem à barraca onde vivo desde então, medir as janelas e ver as instalações sanitárias (que não há!). Mas tenho medo que ma fechem, e então é que fico mesmo a dormir na rua.
Mas há esperança. Fui ontem, depois da missa, visitar o lar novo que o senhor prior aqui da freguesia está a inaugurar, e onde talvez tenha lugar. Fiquei espantado com as instalações. Não sei o que é um hotel de luxo, porque nunca vi nenhum, mas é assim que o imagino. Perguntei ao padre por que razão era tudo tão grande e tão caro. Afinal, se fosse um bocadinho mais apertado, podia ajudar mais gente. Ele respondeu que tinha apenas cumprido as exigências da lei (mais uma vez tem a ver consigo, senhor ministro). Aliás o prior confessou que não tinha conseguido fazer mesmo tudo, porque não havia dinheiro, e contava com a distracção ou benevolência dos inspectores para lhe aprovarem o lar. Se não, lá ficamos nós mais uns tempos nas barracas. 

Senhor ministro, acredito que tenha excelentes intenções e faça isto por bem. Como não sabe o que é a pobreza, julga que as exigências melhoram as coisas. Mas a única coisa que estas leis e fiscalizações conseguem é criar desigualdades dentro da miséria. Porque não se preocupam com as

casas dos pobres, só com as que ajudam os pobres.""

publicado por jpargana às 18:52

Janeiro 07 2012

Sempre simpatizei com o Sporting.

 

Sempre gostei muito do Sporting.

 

Fico muito marafado quando o Sporting perde ou não ganha.

 

Vejo, sofrendo, pela televisão, os jogos do Sporting.

 

Só não vou ao estádio apenas porque não aceito ser tratado como um malfeitor, desordeiro ou marginal, só porque não existe a coragem de tratar os malfeitores, desordeiros ou marginais como tal.

 

O.K.! Podem chamar-me Sportinguista!

 

Por isso, preocupo-me com o Sporting. Sempre o considerei um clube de gente boa, ordeira, onde o “fair-play” é a regra. Um clube que por isso, marcava a diferença. Um clube de senhoras e de senhores.

 

De boa fé, sempre acreditei que os excessos das claques nada tinham a ver com as estruturas dirigentes ou com as hierarquias dos clubes. Acreditava, sinceramente, que assim era não só no Sporting, mas principalmente no Sporting.

 

A verdade, porém, é que quem colocou as célebres fotografias das claques no túnel do balneário dos visitantes do Estádio de Alvalade, não foram as claques.

 

 

 

 

Não sei se as fotos são de inspiração fascista ou fascizantes.

 

Também não sabia que a saudação fascista tinha sido alterada, e que agora é o punho cerrado em vez da mão estendida. Não sabia, mas também não tenho nada com isso. Tanto me faz.

 

 

 

Mas o que sei é que as fotos são de muito mau gosto. E isso é pior. È muito pior.

 

É muito grave.

 

É que, a partir de agora, já não se pode argumentar que as atitudes das claques nada têm que ver com o clube, os seus sócios e adeptos, a sua hierarquia e a sua estrutura dirigente.

 

Eu gostaria que isto não tivesse acontecido.

 

Não no “meu” Sporting.

 

Que pena!!!!

 

 

publicado por jpargana às 16:36

Janeiro 07 2012

 

De uma insuspeita senhora jornalista:

  

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2224239&seccao=fernanda

 

Julgo ser a primeira vez que vejo alguém referir a idade e o rendimento dos proprietários.

 

Bem haja!

publicado por jpargana às 13:26

Janeiro 06 2012

Entendamo-nos:

 

Sou pensionista.

 

Não fui Funcionário Público, mas fui Servidor do Estado.

 

Não sou de esquerda.

 

Sou indignado, embora não encartado (não pertenço aos Indignados). Estive várias vezes à rasca, ao longo da minha vida, como muitos da minha geração, sem estar filiado em nenhuma Geração À Rasca.

 

Ouvi com estupefacção, há algum tempo, o Sr. Presidente da República manifestar a sua preocupação pela medida do corte de subsídios aos Funcionários Públicos e aos Pensionistas.

 

Segundo Sua Excelência, foi violado o Princípio da Equidade Fiscal, descriminando negativamente os funcionários públicos.

 

É pena que, ao que parece, seja esse o único princípio que preocupa Sua Excelência.

 

Era bom que Sua Excelência se preocupasse com o Princípio da Equidade Ponto Final.

 

Era bom que Sua Excelência se detivesse a pensar de onde vieram os mais de 13 % (números oficiais) dos desempregados do seu País.

 

Que proporção veio do sector privado?

 

Que proporção veio do sector público?

 

Era bom que Sua Excelência se preocupasse com quem vai ter que pagar os quadros e funcionários excedentários dos organismos, institutos e empresas públicas inúteis que por imposição dos nossos credores (sem eles, tudo continuaria como está) vão(?) ser extintos.

 

Onde está a equidade, se compararmos estes quadros e funcionários, cujo estatuto de blindagem do emprego enviará para algumas mais ou menos tranquilas “prateleiras”, com os colaboradores das dezenas de empresas que diáriamente fecham no País e que irão engrossar os tais mais de 13% de desempregados?

 

Sua Excelência está a brincar, ou quê????

 

Se está a brincar, tem muito mau gosto.

 

Ou foi muito infeliz!

 

Sua Excelência é o Presidente de todos os Portugueses. Foi eleito por maioria absoluta. Eu fui um dos que votou em Sua Excelência.

 

Mas Sua Excelência tem que ter a humildade de, com a sua almofada, discutir e reflectir nas motivações dos eleitores.

 

Sua Excelência devia reconhecer que houve muitos que, mais do que em Sua Excelência, votaram contra os seus opositores!          

 

Sua Excelência não deve duvidar que tudo faremos para o ajudar a desempenhar e terminar o seu segundo mandato com a maior dignidade (onde é que já ouvi isto?).

 

Permita-me Sua Excelência que transcreva uma carta aberta que lhe é dirigida e que circula na internet:

 

 

 

"Senhor Presidente
 
Há muito muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão e mais liberalidades que, pouco acostumados,  aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido.                                                                                                                                    

 

Havia pequenos senãos, arrancar  vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento. Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo.                                                                                                                                                            

Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado. O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia  pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de  bafejados oásis  de leite e mel,  Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.

 

Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.

 

No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas  jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo  se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais. Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas  emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa.

 

Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir. Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas. Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.

 

Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices  dos pupilos, por veladas e paternais  palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede. E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter. Que  preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão;  que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.

 

Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.

 

Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade. Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e  sobrevivendo pusilâmine como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.

Respeitoso e Suburbano,  devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika
 
António Maria dos Santos
Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011"

 

Com um abraço ao João Mira, e os cumprimentos ao Sr. António Maria dos Santos, que não conheço pessoalmente.

 

 

 

publicado por jpargana às 20:04

Janeiro 06 2012

A deslocalização da sociedade Francisco Manuel dos Santos é um acto de legítima defesa!!!!

 

O resto é blá blá blá!!!

 

O que temos a fazer, é vingarmo-nos: criar as condições para que as empresas holandesas se deslocalizem para cá. (muito mais difícil do que aumentar impostos para que mais impostos se possam aumentar)

publicado por jpargana às 17:48

Janeiro 05 2012

 

O meu amigo João Mira encaminhou-me o seguinte texto, que não resisto a transcrever:

 

 


"A CIGARRA E A FORMIGA
(Versões alemã e portuguesa)


Versão alemã

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.

 

A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.

 

Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.

 

Fim

Versão portuguesa


A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.

 

A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.

 

Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.

A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

 

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.

 

A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.

 

A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares organizam manifestações diante da casa da formiga.

 

Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.

 

Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.

 

Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti descriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).

 

Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.

 

A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

 

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás. Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista...".

 

A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se cagando para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.

 

Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.

 

Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

 

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança.

 

Ana Gomes um pouco a despropósito afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo Portas.

 

Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...

 

FIM

 

Como brinde, aqui vai a tradução de Bocage da famosa fábula de La Fontaine:

 

Tendo a cigarra em cantigas

Passado todo o Verão

Achou-se em penúria extrema

Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha

Que trincasse, a tagarela

Foi valer-se da formiga,

Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,

Pois tinha riqueza e brilho,

Algum grão com que manter-se

Até voltar o aceso estio.

- "Amiga", diz a cigarra,

- "Prometo, à fé d'animal,

Pagar-vos antes d'Agosto

Os juros e o principal."

A formiga nunca empresta,

Nunca dá, por isso junta.

- "No Verão, em que lidavas?"

À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: - "Eu cantava

Noite e dia, a toda a hora."

- "Oh! bravo!", torna a formiga.

- "Cantavas? Pois dança agora!""

 

Com um abraço ao João e a devida vénia e agradecimento ao autor desconhecido.

publicado por jpargana às 18:57

Este blog é uma colectânea de reflexões do autor sobre temas de interesse geral e da sociedade e ambiente que o rodeiam.
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