Rua do Saco

Janeiro 23 2010

 

Esta reflexão foi-me suscitada ao ouvir, enquanto conduzia, pela rádio em estação cujo nome não recordo, uma entrevista a uma dirigente (activista? militante?) da Amnistia Internacional.

 

A entrevista era feita a propósito do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A dado passo, manifestava a entrevistada o seu regozijo por, segundo contava, durante uma visita a uma escola no âmbito desse dia, ter sido surpreendida pelo profundo conhecimento que os alunos tidos como os mais problemáticos da escola tinham da Declaração.

 

Pergunto-me: terá averiguado que conhecimentos tinham dos deveres humanos?

Para quando uma Declaração Universal dos Deveres Humanos?

publicado por jpargana às 19:43

Janeiro 23 2010

As cidades são o que são os seus rios.

 

Não há cidades vivas nas margens de rios mortos.

 

O Arade nestá morto. E Silves?

 

Só tenho saudades de ver durante as cheias os barcos a flutuar em frente à Farmácia João de Deus (a água chegava à parte baixa da Rua 5 de Outubro um pouco abaixo da mercearia do meu pai), ou de ver no estádio Dr. Francisco Vieira, apenas as partes de cima das balizas, porque, claro, tenho saudades de uma infância feliz, numa Cidade bela e cheia  de humanidade, com pessoas com nomes e alcunhas.

 

Muito tempo passou. Construiu-se a barragem, dominou-se o rio e acabaram-se as cheias. Mas morreu o rio, substituindo-o um braço de mar.

 

Na maré cheia é um braço de água salgada, vinda de Portimão e do mar.

 

Na maré vazia, é um leito de lodo, feio, mal cheiroso, decadente, porque a água regressou toda a Portimão e ao mar.

 

É um drama?

 

Que fazer? Chorar?

 

Os tempos mudaram. Já não há cheias nem cortiça  na cidade, e os barcos já não vêem carregar ao cais de Silves. As pessoas não têm alcunhas e as crianças não brincam na rua. Ninguém vai ao urinol público do cais, que já lá não está.

 

A economia da região mudou. Produzem-se os mais merecidamente famosos citrinos. Mas Silves continua triste, a ver passar o comboio do Turismo, sem nele embarcar, talvez na esperança de que alguém de fora (ou um milagre) venha dar-lhe o empurrão que lhe permita entrar nesse mercado.

 

Silves tem potencialidades e pode constituir um produto turístico do maior interesse. O Arade também. E certamente os dois juntos.

 

É um sinal o tráfego já existente de barcos com turistas vindos de Portimão, todo o ano, apesar da dependência das marés.

 

Imagine-se o que poderá acontecer se essa dependência não existir.

 

O mercado está na orla marítima, nomeadamente em Portimão (os turistas não viajam dos seus países para Silves. Viajam para o Algarve (=praias, sol, mar)).

 

Só a navegabilidade do Arade e o consequente estabelecimento de um verdadeiro sistema de transporte turístico fluvial fará de Silves e do seu rio produtos turísticos de relevo para a economia da cidade, beneficiando das sinergias com Portimão.

 

"Ressuscitando" o Arade. E ressuscitando Silves.

 

P.S. Após várias tentativas, tiive acesso, na Junta de Freguesia do Parchal, ao projecto de navegabilidade do Arade, que se encontrava em discussão pública. Desconheço se muitos outros cidadãos fizeram o mesmo. Dado o impacto e o efeito multiplicador esperado na economia, sinceramente não entendo como é possível nâo ser dada  à sua execução a maior das prioridades.

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publicado por jpargana às 15:47

Este blog é uma colectânea de reflexões do autor sobre temas de interesse geral e da sociedade e ambiente que o rodeiam.
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