Rua do Saco

Janeiro 27 2010

Eu tive um sonho.

Sonhei que um dia veria o meu rio sempre com água.

Sonhei que veria barcos amarrados ao cais, e vida no Arade.

Sonhei que a ponte romana tinha sido pintada e dotada de iluminação cénica (Polis, Plano Estratégico, pag 6). E que as escadarias do cais eram, de vez em quando, lavadas (ou pelo menos, mangueiradas).

Sonhei que, a partir da Primavera, pelo menos um dia por semana, veria o passeio ribeirinho de Silves e a ponte romana com pequenas tendas de artesanato e artistas a pintar ou a vender as suas obras. Ou com pequenos mercados temáticos (frutos secos? Flores? Citrinos? Doces e produtos regionais?).

E que Silves era por isso conhecida em todo o Algarve. Que de todo o Algarve vinha gente.

Sonhei que Silves não tinha para oferecer apenas uma feira medieval, de sucesso garantido, mas igual à que pode ser vista em qualquer vila ou cidade do País.

E que veria as esplanadas da baixa de Silves cheias de gente. Gente da terra. E visitantes, a lanchar e a descansar do passeio pela zona histórica, ou a fazer tempo para o barco de regresso.

Sonhei que todas as ruas do centro histórico tinham sido dignificadas, e que na sequência de uma adequada e eficaz política, a antiga Almedina tinha condições para a fixação e vida das famílias. E que já não haviam casas em ruínas.

Sonhei tudo isso. E sonharei muito mais. Enquanto não for proibido.

 

publicado por jpargana às 12:24

Janeiro 24 2010

Tenho 71 anos de idade.

 

Desde miúdo, toda a gente me disse que poupar é uma virtude. O meu Pai ensinou-me “que não devia estender o pé para além do lençol”. Acreditei nele e segui sempre o seu conselho. Ao longo da vida fui ouvindo que poupar era a forma mais segura de manter na velhice a qualidade de vida a que me habituei enquanto trabalhei. Acreditei.

 

Sempre me apavorou a perspectiva de ser, na velhice, um fardo para a família ou para a sociedade.

 

Nunca fui a Cancún nem à República Dominicana. Nem de férias ao Brasil, pagas a suaves prestações.

 

O meu carro não tem GPS. Aliás, todos os carros que tive, tiveram que me servir mais de cinco anos, apesar de comprados em segunda mão.

 

Quis a sorte que eu herdasse um nome respeitado e um pequeno património. Procurei ser digno desse nome e honrá-lo, e respeitar esse património, investindo na sua conservação. Poupei e investi, melhorando e aumentando esse património.

 

O meu Pai dizia-me que era minha obrigação deixar aos meus filhos mais do que ele me deixava a mim. Acreditei. E procurei seguir o seu ensinamento.

Toda a minha vida poupei.

 

Fui enganado!

 

Afinal, poupei para quê?

 

Para pagar impostos!

 

Já tive que resgatar os meus PPR para pagar impostos e vou ter que vender património para continuar a pagá-los.

 

Quando as pessoas como eu tiverem resgatado todos os seus PPR e vendido o seu património, pergunto: a quem vão ser aumentados os impostos?????

publicado por jpargana às 18:50

Janeiro 24 2010

Estou muito preocupado com o “meu” Banco.

Como micro accionista e micro cliente, não consigo evitar a enorme preocupação com o regresso do Sr. Dr. (?!) Armando Vara ao Conselho de Administração (ou mesmo perto) do BCP.

É que preciso de estar certo de que a gestão do Banco em que detenho algumas acções adquiridas com poupanças fruto do meu trabalho, e a quem confiei a custódia de aplicações e depósitos que também resultaram do meu trabalho de anos, está entregue a pessoas dignas da confiança e com a competência adequada às respectivas funções.

Aliás, Confiança é a razão de ser de um Banco.

Nada me move contra o Sr. Dr. (?!) Armando Vara. E também acredito que ninguém é culpado antes de ser julgado e condenado em Tribunal.

Mas acho que, como micro accionista e micro cliente tenho que ser exigente no que respeita às pessoas que são escolhidas para cargos de tal responsabilidade.

Não duvido que o Sr. Dr. (?!) Armando Vara tenha uma brilhante carreira partidária, e de grande competência e fidelidade nesse tipo de actividade. Isso não lhe dá a experiência, qualificação e comprovada competência para um cargo na Administração de um Banco.

Começa a ser tempo de se escolherem as pessoas para o desempenho de quaisquer funções, com base em outros critérios que não sejam a filiação, fidelidade e carreira partidária.

A qualificação, experiência e comprovada competência constituem certamente uma alternativa a ensaiar.

Estou muito preocupado com o “meu” Banco. Penso que esta preocupação não é só minha.

Santo Estêvão, 10 de Dezembro de 2009

 

publicado por jpargana às 18:45

Janeiro 24 2010

Uma coisa é certa:

 

O Sr ex-Inspector teve acesso às informações que utiliza no seu livro em exercício de funções.

 

Não sei até que ponto a utilização dessas informações para outros fins que não os inerentes a essas funções é legalmente aceitável (chocar-me-ia, mas não me admiraria que o fossem).

No mínimo, é eticamente reprovável.

 

É certamente um abuso a sua utilização para fins próprios!

 

Essas informações não são propriedade do Sr. ex-Inspector. São propriedade da Instituição para a qual trabalhava, Instituição que, aliás não honrou, que expôs ao descrédito e para cujo desprestígio deu sério contributo

publicado por jpargana às 18:39

Janeiro 24 2010

Sou de um tempo diferente, reconheço. Mas faço um esforço por acompanhar a evolução, adaptando-me às novas condições.

 

Na escola, tratávamos o professor por Sr. Professor e o Contínuo (havia Contínuos) por Sr. seguido do nome ou apelido (os Contínuos tinham nome e apelido). Ambos eram tratados por Sr..

 

Vejo na televisão (que suponho reflectir a realidade) os jovens a tratar o professor por Professor (sem Sr.). Cumprimentam: “Bom dia, Professor!” Ou chamam: “Ó Professor!”

 

Não os imagino a cumprimentar: “Bom dia Auxiliar!” Ou chamar: “Ó Auxiliar!” Quando se dirigem ao Auxiliar de Acção Educativa (versão actual de Contínuo). Tal como não os imagino a chamar: “Ó Polícia!” ou: “Ó Porteiro!” Certamente chamarão: “Ó Sr. Polícia!” ou: “Ó Sr. Porteiro!”

 

É vulgar ouvir: “Como está, Engenheiro?” Ou: “Passou bem, Doutor?”.

Nunca ouvi: “Bom dia, Guarda!” Ou: “Como está, Porteiro?” Aqui, certamente se ouvirá: “Bom dia Sr. Guarda!”, “Como está, Sr. Porteiro?”.

 

Em que ficamos? Porquê uns são Senhores e outros não?

 

publicado por jpargana às 18:26

Janeiro 24 2010

 

Quero agradecer ao público Bósnio a ajuda dada para que pela primeira vez (tanto quanto me lembro) os jogadores Portugueses (incluindo alguns nascidos Brasileiros) tenham cantado a Portuguesa de cabeça bem levantada e em voz bem alta.

Acredito que a falta de fair-play, manifestada pela despropositada, deselegante e grosseira assobiadela durante a execução do Hino Nacional de Portugal, foi não só uma preciosa ajuda para a nova postura a cantar o Hino, como para o empenho e a nova garra que os nossos jogadores puseram na vitória que acabaram por merecer.

Se eu fosse Seleccionador (sei que não vou sê-lo), havia de ensinar aos jogadores Portugueses (o que inclui, escusado dizê-lo, os nascidos Brasileiros) o Hino Nacional de Portugal, e a cantá-lo em voz bem alta e de cabeça bem levantada.

Mais: todos os treinos por mim dirigidos haviam de ter início com o Hino Nacional cantado dessa forma!

Como se um bando de selvagens estivesse a tentar calar-nos!

Santo Estêvão, 11 de Dezembro de 2009-12-12

 

publicado por jpargana às 18:15

Janeiro 24 2010
Afinal, ficámos a saber que quase 90 %  dos nossos professores tem a classificação de Bom.
 
 
De facto, para quê a avaliação?
Vejamos: seria interessante saber (que eu saiba, isso não foi tornado público) se a esses (os Bons) juntássemos os classificados como Muito Bom, Excelente e ainda os Suficiente ou Aceitável, qual a percentagem que ficaria para os Não Aceitáveis ou Incapazes (se é que os há).
A acreditar na avaliação, essa é que seria a percentagem que seria importante conhecer e com a qual devíamos preocupar-nos.
Porque deve ser essa a parte dos professores que é responsável pelo estado a que o nosso ensino chegou.
Como é possível que uma percentagem tão necessariamente pequena seja causadora de tanto mal?
A menos que a avaliação feita careça de eficácia e não mereça credibilidade. Então, se assim for, de novo: para que serve?

 

publicado por jpargana às 17:51

Janeiro 23 2010

 

Esta reflexão foi-me suscitada ao ouvir, enquanto conduzia, pela rádio em estação cujo nome não recordo, uma entrevista a uma dirigente (activista? militante?) da Amnistia Internacional.

 

A entrevista era feita a propósito do Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A dado passo, manifestava a entrevistada o seu regozijo por, segundo contava, durante uma visita a uma escola no âmbito desse dia, ter sido surpreendida pelo profundo conhecimento que os alunos tidos como os mais problemáticos da escola tinham da Declaração.

 

Pergunto-me: terá averiguado que conhecimentos tinham dos deveres humanos?

Para quando uma Declaração Universal dos Deveres Humanos?

publicado por jpargana às 19:43

Janeiro 23 2010

As cidades são o que são os seus rios.

 

Não há cidades vivas nas margens de rios mortos.

 

O Arade nestá morto. E Silves?

 

Só tenho saudades de ver durante as cheias os barcos a flutuar em frente à Farmácia João de Deus (a água chegava à parte baixa da Rua 5 de Outubro um pouco abaixo da mercearia do meu pai), ou de ver no estádio Dr. Francisco Vieira, apenas as partes de cima das balizas, porque, claro, tenho saudades de uma infância feliz, numa Cidade bela e cheia  de humanidade, com pessoas com nomes e alcunhas.

 

Muito tempo passou. Construiu-se a barragem, dominou-se o rio e acabaram-se as cheias. Mas morreu o rio, substituindo-o um braço de mar.

 

Na maré cheia é um braço de água salgada, vinda de Portimão e do mar.

 

Na maré vazia, é um leito de lodo, feio, mal cheiroso, decadente, porque a água regressou toda a Portimão e ao mar.

 

É um drama?

 

Que fazer? Chorar?

 

Os tempos mudaram. Já não há cheias nem cortiça  na cidade, e os barcos já não vêem carregar ao cais de Silves. As pessoas não têm alcunhas e as crianças não brincam na rua. Ninguém vai ao urinol público do cais, que já lá não está.

 

A economia da região mudou. Produzem-se os mais merecidamente famosos citrinos. Mas Silves continua triste, a ver passar o comboio do Turismo, sem nele embarcar, talvez na esperança de que alguém de fora (ou um milagre) venha dar-lhe o empurrão que lhe permita entrar nesse mercado.

 

Silves tem potencialidades e pode constituir um produto turístico do maior interesse. O Arade também. E certamente os dois juntos.

 

É um sinal o tráfego já existente de barcos com turistas vindos de Portimão, todo o ano, apesar da dependência das marés.

 

Imagine-se o que poderá acontecer se essa dependência não existir.

 

O mercado está na orla marítima, nomeadamente em Portimão (os turistas não viajam dos seus países para Silves. Viajam para o Algarve (=praias, sol, mar)).

 

Só a navegabilidade do Arade e o consequente estabelecimento de um verdadeiro sistema de transporte turístico fluvial fará de Silves e do seu rio produtos turísticos de relevo para a economia da cidade, beneficiando das sinergias com Portimão.

 

"Ressuscitando" o Arade. E ressuscitando Silves.

 

P.S. Após várias tentativas, tiive acesso, na Junta de Freguesia do Parchal, ao projecto de navegabilidade do Arade, que se encontrava em discussão pública. Desconheço se muitos outros cidadãos fizeram o mesmo. Dado o impacto e o efeito multiplicador esperado na economia, sinceramente não entendo como é possível nâo ser dada  à sua execução a maior das prioridades.

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publicado por jpargana às 15:47

Este blog é uma colectânea de reflexões do autor sobre temas de interesse geral e da sociedade e ambiente que o rodeiam.
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