Rua do Saco

Novembro 30 2011

 

Ouvi dizer que o Governo se prepara para eliminar os feriados do 5 de Outubro e do 1º de Dezembro.

 

Porque será que já nada me surpreende?

 

Sempre achei que à crise da dívida se sobrepõe uma crise de valores, que aliás a antecede, que em grande medida é sua causa e que, não resolvida, não viabilizará qualquer solução.

 

Não misturemos as coisas!

 

Em 5 de Outubro de 1910 houve uma mudança de regime político.

 

Em 1 de Dezembro de 1640 restaurou-se a Independência de Portugal.

 

São coisas completamente diferentes.

 

Que se comparasse ou considerasse ao mesmo nível, com igual tratamento, o 25 de Abril ao 5 de Outubro, nada haveria a objectar.

 

Tal como o 28 de Maio, que também já foi feriado, são efemérides ligadas a regimes políticos, assinaladas de forma diferente quando eles mudam.

 

Nada de comparável a um acontecimento que está ligado á perenidade da Pátria.

 

Perdoem-me. A minha geração, que nunca esteve à rasca, não aprendeu a Portuguesa nos estádios de futebol.

 

Sei que o que penso sobre o assunto chocará muitos “democratas”.

 

Que será visto como um “atentado às liberdades” e às “conquistas de Abril”. (é claro, eles são os donos da verdade e eles é que sabem o que são as tais liberdades e conquistas, e por isso são os seus guardiões).

 

Ou, no mínimo, será políticamente muito incorrecto.

 

Paciência!

 

Eu aguento!

 

Quanto a isso, tenho as costas largas!

 

Não sou democrata encartado, mas só recebo lições de democracia de quem eu reconheça estrutura moral para mas dar.

 

Nos devidos momentos, quer antes, cedo, quer depois de 25 de Abril de 1974, tomei as atitudes e decisões que a minha consciência ditou, correndo os riscos inerentes, para o velho conflito dos militares em tempo de crise, tão bem sintetizado no dilema do General DeGaule: Honra ou Dever?

 

Na sua ingenuidade e generosidade, um dos objectivos do Movimento das Forças Armadas era criar as condições para, em paz, democracia e liberdade, se dar a Portugal uma oportunidade de desenvolvimento e progresso social.

 

Claro, com trabalho. Com esforço.

 

Por isso nada mais dignificaria essa data que a eliminação do respectivo feriado.

 

Que sejam eliminados os feriados de 25 de Abril e 5 de Outubro, cujo fundamento é semelhante. Datas importantes, sim, mas que dividem os Portugueses, rotulando-os de republicanos e monárquicos, democratas e reaccionários, vencidos e vencedores, heróis e vilões, bons e maus, bonitos e feios, tal como fazia o 28 de Maio, o tal que também já foi feriado e nome de ruas, de avenidas, de praças e de estádios.

 

Mas que se poupe o feriado e a celebração da restauração da Independência, data de unidade para todos os verdadeiros Portugueses que amam a sua Pátria e que a querem livre, próspera, digna do respeito e do reconhecimento pelo contributo dado à humanidade pelos seus  séculos de História!

 

Á política o que é da política. À Pátria o que é da Pátria!

 

P.S.: Nada tenho contra Espanha, país que muito respeito e admiro, nem contra os Espanhóis com muitos dos quais conquistei verdadeiros laços de camaradagem e mútuo respeito que vão muito para além da amizade. Vivi em Madrid durante três anos, e em Madrid nasceu a minha filha Maria Sofia. Aí me doutorei e me foi conferido o direito de ser membro do Colégio Oficial De Ingenieros de Armamento.

 

publicado por jpargana às 18:39

Este blog é uma colectânea de reflexões do autor sobre temas de interesse geral e da sociedade e ambiente que o rodeiam.
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